Meu Japão

Favela High-tech

Dezembro 13, 2008 · 12 Comentários

favelaAcabei de ler Favela High-tech, do meu conterrâneo  e colega de profissão Marco Lacerda. Sabia que ele não havia enchido o Japão de elogios, como eu costumo fazer, e por isso mesmo quis tanto este livro.

Não consegui comprar aqui, mas aproveitei a pergunta da Clara, que estava de malas quase prontas: “quer alguma coisa do Brasil?” E fiz o meu pedido. O livro, claro. Ela o encontrou, facilmente, num sebo de São Paulo. Que alegria!

Na Favela High-tech de Marco não tem sakura (as cerejeiras maravilhosas), a beleza do Monte Fuji, parques lindíssimos como o Shinjuku Gyoen, os japoneses que eu adoro, as delícias do choque cultural, nada disso que tem no Meu Japão.

O livro mostra o lado feio e sujo de Tóquio e da cultura japonesa. Não duvido que ele exista – e Deus queira que seja em proporção bem menor! -, mas acredito que de 1992 - época de Marco no Japão -  para cá, muita coisa tenha mudado. Especialmente, em relação à convivência com os estrangeiros.

Marco escreveu: Chris era o único estrangeiro, das dezenas que conheci, que vivia no Japão porque gostava, não porque precisasse. Eu vivo escrevendo: Amo o Japão e vou chorar muito no dia em que deixar o país (detalhe: sou estrangeira ‘pura’, sem uma gotinha sequer de sangue japonês!).

Marco também escreveu: O Japão do pós-guerra é um país de economia de primeira classe e um estilo de vida de quinta. Eu não paro de escrever: A vida de ‘pobre’ no Japão é uma maravilha! Como é bom morar no Primeiro Mundo!

Até deixei uma mensagem no blog dele, dizendo que somos 8 e 80. E acho que ele tem razão em muitas coisas. Por exemplo, quando fala dos clubes de imprensa daqui, que controlam as informações oficiais. Isso é verdade e triste!

E, apesar de ser fã declarada deste povo de olhinhos puxados, adorei a favela high-tech de Marco. O texto é livre, leve – mas chocante - e solto e conta a história de um americano e uma brasileira envolvidos com a máfia japonesa. A gente não consegue parar de ler! Pensei: quero escrever um livro tão legal como este (mas, claro, com uma visão bem mais cor-de-rosa!).

Eu recomendo (só para maiores de 18 anos). Leiam o Favela High-tech. Mas, lembrem-se: Tóquio é muito mais bonita e fascinante e a vida aqui – não só a minha! -, muito mais agradável e divertida. Pelo menos sob o meu olhar, nos anos 2004, 2005, 2006… (^o^)/

Categorias: Livro
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12 respostas Até agora ↓

  • Juliano // Dezembro 13, 2008 às 8:04 pm

    Não lí o livro, minha vida aqui no Japão não é um conto de fadas (principalmente agora com essa crise braba), mas sem dúvidas eu tenho muito mais elogios do que críticas a fazer, sobre o Japão e o povo japonês :-D ! Fiquei curioso em saber o que o autor fala sobre o Japão, vou ver se consigo comprar o livro :-P

  • Caruso // Dezembro 13, 2008 às 10:43 pm

    Gostei do resumo. Desde meu tempo de faculdade eu já tinha ouvido falar desse livro, mas comprar e ler mesmo que é bom…nunca o fiz! Mas fiquei curioso também. Apesar de que, eu acho que cada um tem seu motivo de estar no Japão, assim como cada um tem uma história diferente e vivências igualmente distintas. Por que todos devem ter a mesma opinião? Todos devem detestar o Japão? Acho que você pode gostar do Japão enquanto que ele, não sei, ou até outra pessoa pode não gostar. As pessoas são diferentes! Maneiro, vou ver se leio esse livro também…

  • augusto // Dezembro 14, 2008 às 3:49 am

    li o livro há muito tempo e senti pena do autor, tanto pelos erros grosseiros( alguns propositais) quanto pelo ódio que ele sente pelo país e seu povo. como ele comentou num dos trechos do livro, um dos passatempos preferidos dos estrangeiros é “meter o pau” nos japoneses e seus costumes. esse foi o único objetivo dele ao escrever esse lixo. só para exemplificar: disse que a iniciação sexual dos garotos é feita com a mãe… lamentável. karina acho que vc foi muito diplomática com seu colega “escritor”. parabéns a vc e ao caruso por escreverem de forma séria, divertida e principalmente verdadeira.

  • Marcia kawabe // Dezembro 14, 2008 às 4:03 am

    Karina eu morei em Sapporo do começo de 92 até meados de 93. Naquela época eu ouvia muito dizer que brasileiros que moravam na região de Tóquio eram muito discriminados, acho até que por causa de casos como esse de brasileiros que se envolviam com a máfia, mas não sei se por conta da região onde a gente morava, eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito ou discriminação. É claro que existe seus prós e contras e que morar em outro país é completamente diferente de como fazer turismo, por exemplo. Mas sem a menor sombra de dúvida pra mim foi uma ótima experiência.

  • Karina Almeida // Dezembro 14, 2008 às 10:22 am

    PARA TODOS: gente, o AUGUSTO tem razão. Eu fui o mais diplomática possível porque não gosto de falar mal do trabalho dos outros – e o livro do Marco é realmente envolvente e marcante.

    Mas, também acho que há muitas coisas incoerentes com a cultura japonesa que eu conheço. Essa história da iniciação sexual dos garotos com a mãe foi a mais chocante de todas!

    Também acho que ele pega pesado em muitos outros pontos dos costumes japoneses – apesar de concordar que alguns não são pura invenção da cabeça dele.

    Enfim, eu só me preocupo com as pessoas que leram o livro dele e acham que o Japão é do jeito que ele descreveu. É claro que aqui tem máfia, tem prostituição, tem drogas, tem corrupção também, mas doeu ouvir que o estilo de vida no Japão é de quinta categoria.

    Eu acho de primeira! Sempre achei e a cada dia me apaixono ainda mais por este país e por este povo (^_^)v

    Ah, mais um detalhe: muita gente diz que os japoneses são infelizes, tristes. Nunca concordei com esse pensamento!

    Acho que sabem curtir a vida muito bem e, se a maioria é tímida, isso não tem nada a ver com infelicidade.

    Conheço vários japoneses/japonesas sempre sorridentes, alegres, divertidos e de bem com a vida! Mas, é claro, gente ranzinza tem em tudo quanto é lugar, inclusive no Brasil.

    ps: nossa, fiz outro post! Hihihi…

  • Luiz // Dezembro 14, 2008 às 1:09 pm

    Comprei esse livro a uns três dias, tô esperando chegar! Coincidência pouca é bobagem.
    Particularmente, quando eu estava fazendo a minha monografia, li dezenas de relatos, dos mais variados tipos (Não tinha conhecimento sobre a existência desse livro, uma pena.), cada um com seus extremismos, mas muitos mostravam um lado bem “dark” do Japão.
    Acredito, e isso ainda sem estudar da maneira ideal esse assunto em especifico, que existem uma série de pequenos fatores que, encadeados, e que acabam por fluir “naturalmente”, forma duas linhas básicas de pensamento quanto a vida no país estrangeiro (E não necessariamente o Japão).
    Quanto ao livro especificamente, pode ser um caso isolado. As resenhas que eu li apontam a isso, inclusive.
    Não acho que seja algo que mereça indignação, como parece ser o caso do Augusto, mas também não há nada de errado em reagir assim.
    Só há de se lembrar que não é ele o único que se refere ao Japão com um certo desdém, ou até, digamos, ódio. E, em geral, as pessoas não tomam esse tipo de atitude gratuitamente.
    Pela sua resenha, em especial, e os comentários daqui, imagino que, mesmo sendo um caso isolado, mereceria um belo estudo…
    Bom, vou esperar chegar o livro e ler! Aparentemente, foi uma boa aquisição! (Ainda mais por ter sido R$8,00)

  • Juvenal // Dezembro 21, 2008 às 9:34 am

    Ola Karina. Li Favela High Tech há 14 anos, ao chegar ao Japão. Frequentei os lugares que ele cita no livro e conheci pessoas que convivia com ele. Apesar de ele afirmar que trata-se de uma reportagem, acho que metade daquilo que ele escreveu é fantasioso, fruto de uma pessoa que não sabia diferenciar Tóquio de Chiba.
    Para começar, ele copia a Crônica de Uma Morte Anunciada e acha que Giotoko (Chiba) é Tokyo.

  • Clover // Fevereiro 22, 2009 às 1:26 am

    Li um livro sobre o Japão (o livro era dos anos 70, acho) que só dizia coisas ruins, que o povo era um monobloco, todos iguais, que eles odiavam animais, inclusive relatava um monte de crueldades, que eles eram todos falsos… Não lembro direito o nome do livro, mas sei que me causou uma péssima impressão do Japão. Como faz muito tempo que li, acho que seu blog me ajuda a tirar as impressões ruins que eu tinha. ;)
    É difícil para a gente que está no Brasil julgar ou tirar conclusões.
    O livro que você citou, é uma obra fictícia, né? Então não podemos dar todos os créditos. Coisas ruins e boas tem em qualquer parte, até mesmo dentro dos seres humanos. Abraços.

  • Brontops // Março 9, 2009 às 10:55 am

    Há muitos anos li este livro. Realmente, é o tipo de livro difícil de largar. Queria muito que fosse totalmente ficção, pois aí iria adorar. O problema é que o autor “vende” o livro como peça jornalística e aí é que a coisa complica. Existe um outro livro chamado “Nove Noites”, de Bernardo Carvalho e você termina o livro sem muita idéia do que foi ficção, do que foi jornalismo. Mas ele joga o tempo todo desta forma. “Favela high tech” seria real.

    Mas achei que o autor “forçou” demais algumas coisas… Parecia que ele mesmo praticava o “Japan bashing” (meter-o-pau-no-Japão). Fiquei intrigado com a pouca polêmica gerada ao redor do livro… Eu não sei se ele fizesse um livro falando da mesma forma de alguns outros países , a mídia iria ficar tão calada. Talvez tenha sido a melhor solução: pouca gente mais ouviu falar do que realmente leu o livro.

    *********

    Muito mais impactante para mim foi o “Corações Sujos” de Fernando Morais. Embora não fale do Japão e sim de japoneses no Brasil. O final do livro que descreve os fatos ocorridos em Mirassol (se não me engano) me trouxe uma série de sentimentos completamente contraditórios. Eu não consegui avaliar aquilo até hoje e é uma história que me perturba e me inquieta.

  • Carlos // Maio 19, 2009 às 12:10 pm

    Eu li o livro assim que foi lancado. Concordo que metade do que o Lacerda diz eh verdade e a outra metade eh fantasia para poder vender o livro.
    Eu, atualmente, tambem estou escrevendo um livro cuja estoria tambem se passa no Japao mas com uma tematica totalmente diferente.

  • Lord // Julho 18, 2009 às 2:44 pm

    Na verdade a situação só piorou!

    O racismo, discriminação e a xenofobia é comum.

  • MARCOS SILVA // Setembro 12, 2009 às 12:43 am

    A REALIDADE E QUE TODOS OS PAISES
    SÃO IGUAIS AO JAPÃO NENHUM QUER
    ADMITIR. AQUI NO BRASIL OU EUA TEM
    DROGAS, SEXO E TUDO QUE NÃO PRESTA
    “HIPOCRISIA”

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