O Japão da Raquel é assim…


Como havia prometido, aí vai a estréia da promoção Aluga-se um blog (quem não está entendendo nada, melhor ler o “post” com esse mesmo nome). A Raquel Marçal é brasileira, jornalista, tem 29 anos e mora em Tokyo. Aqui no Meu Japão, ela Já ficou conhecida como a menina do algodão-doce e, agora, conta a experiência dela como gueixa por um dia. Tenho certeza de que vocês vão adorar!

Na próxima semana, será a vez de O Japão da Shigeko é assim…, outra famosa no Meu Japão. E vocês, o que estão esperando para participar? Com a promoção, vocês não ganham nada. Mas também não pagam… O “aluguel” do blog é de graça!

Obrigada, Raquel! E obrigada, Shigeko!

Chega de enrolação, aí vai o Japão da Raquel:

Dia de gueixa

Quem foi que disse que hoje em dia não tem mais gueixa andando pelas ruas do Japão? Tem sim, inclusive gueixa fajuta! Estas fotos aí são uma recordação do dia em que me vesti de geisha-san e tive uma aula-relâmpago de como andar, sorrir e até abrir uma porta com a graciosidade que os kyakusan (clientes) merecem. Foi na cidade de Ito, um balneário na província de Shizuoka, a menos de uma hora de Tokyo (de trem-bala).

Fiquei parecendo uma assombração de filme de terror japonês, mas os meus amigos (é para isso que servem os amigos…) foram unânimes ao ver as fotos: “Que liiiiinda!” Bem, podia até ficar linda desde que sorrisse de boca fechada. É que a maquiagem branquíssima cria um contraste tremendo com os dentes e deixa o sorriso literalmente amarelo. Deve ser por isso que as gueixas sempre colocam a mão na frente da boca quando riem. O branco do olho também amarela, mas quem vai notar isso naqueles olhos pequenininhos?

Fui a Ito a trabalho, junto com outros três jornalistas estrangeiros (duas americanas e um holandês). Era novembro do ano passado, o filme Memórias de uma Gueixa estava para estrear no Japão, e as prefeituras de Ito e da vizinha Atami se uniram para promover as gueixas da região. Chamaram, então, a imprensa estrangeira. E chamaram a NHK…

Sim, enquanto eu e uma das americanas éramos transformadas em gueixa apareceu uma equipe da tevê pública japonesa para fazer a cobertura da nossa cobertura. Eles colaram na gente durante dois dias – às vezes era constrangedor – e virei personagem principal de uma reportagem que foi ao ar no país inteiro.

Mais legal do que vestir de gueixa e ficar famosa foi poder conversar com gueixas de verdade, ser entretida por elas em um banquete e assisti-las dançar em uma apresentação pública. Na minha cabeça, essas profissionais eram sempre jovens e belas. Pode até ser assim lá na glamourosa Kyoto, onde aliás não vi nenhuma gueixa. Em Ito e Atami elas já são maduras, e não exatamente bonitas. A mais nova das sete com quem conversei, Hotaru, tem 36 anos, mas para os clientes mente que tem 28. A mais velha, Matsuchiyo, negou-se a dizer a idade — “Gueixa não tem idade”, mas aparentava uns 60. Quando perguntei se gueixa se aposenta ela respondeu: “Só se quiser, conheço uma de 96 anos.”

Deu vontade de ficar horas conversando, porque elas têm um ótimo papo. Aliás este talento é um pré-requisito para entrar na profissão. Outro é a disciplina. Apesar de terem ficado muito mal faladas, as gueixas são artistas. Precisam ser virtuoses em instrumentos tradicionais japoneses (como shamisen e koto), dançar com perfeição e ainda saber dar um chega pra lá em clientes abusados sem descer do “guetá”.

Saí de lá me perguntando se a única alternativa de sobrevivência dessa instituição japonesa será virar atração turística. Como vão competir com tantas outras alternativas de diversão mais baratas e atrativas? Imagino que a maioria dos jovens japoneses nunca nem viu uma gueixa de perto. Para terminar, não posso deixar de contar a história que ouvi da gueixa Makifuku. Certa noite, ela foi contratada por um jovem casal, que deixou os dois filhos pequenos com ela e saíram para curtir a noite. “Tivemos um pequeno banquete e servi suco de laranja a eles”, ela disse rindo de seu dia de babá.

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13 Respostas para “O Japão da Raquel é assim…

  1. Karina Almeida

    PARA TODOS

    gente, peço mil desculpas. acho que tô com tendinite. tô triste porque o antebraço direito tá doendo desde sexta-feira (hoje é segunda), mas como sempre procuro o lado positivo das coisas, tô feliz porque tendinite é doença típica de escritor. será que virei escritora mesmo??

    enfim. não vai dar pra responder todos os comentários hoje. nem ontem respondi né. vou tentar deixar a mão descansar e atualizar os comentários – sem dúvida, a seção de mais sucesso do meu japão – amanhã.

    ah, não é a tendinite que vai atrapalhar a atualização diária do meu japão. nem que eu tenha que ficar mais chique ainda e contratar uma secretária. ou secretário.

    ai meu deus, o recado acabou virando um post… eu não tenho juizo mesmo.

    chega né. beijos.

    karina.

  2. Vc nao tem jeito mesmo neh? Adorei o Japao da Raquel!! Mas agora eu fiquei com vergonha e nao sei mais se vou mostrar o meu!! rsrsr…
    E como ainda nao tinha visto as fotos dela, achei o maximo!! Tah linda, sim!! Mas nao parece a mesma menina do algodao-doce. ; P E tbem nao deu pra ver os dentes amarelinhos…rsrsrsr. Ah! Por isso q a foto tah bem pequenininha, neh??
    Beijinhos pras duas…

  3. Como eu nao conheco a Raquel pessoalmente, se eu encontrasse na rua, pensaria que realmente fosse uma gueixa. Jovem eh claro!!!

    Adorei a experiencia que ela teve!

    Ai, Karina – agora fica dificil escrever algo do Japao, voces sao profissionais.

    Eu acho que vou continuar no meu anonimato.

    P.S. Nao sabia que os famosos escritores tem tendinite!

  4. Mais uma coisa. Eu dei muita risada ao ler o texto da Raquel. Ela eh comica!!! Ela que esta reeditando o livro dos gafes??? eu indico ela!!

  5. Para o alto e avante!

    Rachell,
    adorei o “seu Japão”. Você sabe que sou seu fã, então sou suspeito para falar alguma coisa. Mas você nem me contou que se vestiu de gueixa e muito menos que apareceu na tevê!!! Sua traidora.
    Bom, estou esperando sua aparição como co-autora do meu ploc.
    Para o alto e avante!

  6. A Raquel é uma gueixa que tem 24, mas que diz que tem 29.
    Mostrei o video da NHK pra um professor da escola japonesa. Passou a primeira imagem dela e ele gritou: “koukousei!” (aluna de colegial!), o que abaixa a idade dela para 16.

    Talvez eu seja o único aqui que tem uma gueixa em casa. Mas eu não a deixo servir suco de laranja, só cachaça mineira…

    O maridão

  7. Adorei o Japão da Raquel!! Falar um pouco mais sobre as Gueixas, que é uma espécie de mito para os ocidentais foi uma ótima idéia!!! Imagina só poder conhecê-las de perto e viver um dia de gueixa! Muito bom Raquel!!!
    Parabéns pela idéia do aluguél Karina!
    Bjão

  8. Que belo Japao da Raquel!

    A experiencia entao, de poder ter vivido por algumas horas o dia-a-dia de uma gueixa – muito legal mesmo!!!

    Shiiii… Shiguko que responsa…, e a Karina que ja esta combrando sem cobrar…

  9. Essa gueixa é muito gata!!!
    Miau!

  10. Ai, Militino!! Vc nao estah esperando um texto no nivel do da Raquel, neh? Por favor…

  11. Nada como receber o carinho dos fãs. É muito gratificante…
    Agora, falando sério. Estou louca pra saber como é o Japão de vocês. O que importa não é tanto o texto e sim a história. E isso eu sei que vocês têm de montão. Escrevam logo!

  12. as melhoras para a tendinite…

    O meu Japão é assim.

    Nunca estive no Japão mas é um país que gostaria de visitar.

  13. Gustei o Japão de Raquel, parabens

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